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Os segredos da neve

Passos desencontrados no branco imaculado gravados Quantas esperanças foram aqui geradas e vividas despedaçadas   renascidas e escondidas por tantos mantos brancos Árvores despidas com os ramos negros debruados a branco são testemunhas de muitos espantos que o tempo e a neve purificam As árvores são entes com vida presenciando outras vidas que renascem e florescem quando se esvanece o manto branco

Uma fina haste

Uma fina haste tangida pelo vento balança incansável silenciosamente numa dança frenética   embriagante A forma assumida pelas folhas recorta-se contra o azul do céu e varia constantemente várias versões do vento preenchendo o momento ora é pássaro   ora flor orelhas de coelho ou braços de abraçar numa dança de amor O frenético movimento serena   o meu pensamento e por instantes fui aquela haste de folhas ao vento

Ressonâncias

Somos como borboletas a pousar de flor em flor seres únicos  de várias cores encarnamos a mudança a metamorfose   a dança a beleza fugidia em cada instante somos o inconstante um pálido momento ressonâncias fugazes mas capazes de   reinventar o mundo num breve bater de asas

Tempo caos

Incertezas em catadupas caem sobre nós entrecruzam-se espraiam-se e magoam a alma O silêncio grita-nos e estremece-nos É preciso estar atento e forte e não temer a morte Ser um arauto uma luz um pássaro um grito que estilhace o caos e faça dele uma obra de arte

Inevitavelmente

Inevitavelmente o mundo está aí pleno de possibilidades à espera de ser acordado por ti Inevitavelmente por muito que queiramos por muito que lavemos as mãos deixamos marcas naquilo que tocamos Inevitavelmente apesar do muito esforço o caminho é pedregoso pois coração e razão nem sempre estão de acordo

Natal é agora

Quando um ser nasce é Natal seja uma flor   uma estrela ou um cristal seja uma ideia   uma criança ou um amor seja lá o que for   há-de ser um mundo inteiro Natal é agora e sempre que um olhar se demora em qualquer ser que desponta Natal é amor primeiro que floresce e inebria Natal é uma onda que inunda a terra inteira E quando o anel se amplia evidencia que aquilo que os seres   une é maior que aquilo que os distancia Na família   nos amigos   na humanidade inteira Natal é por vezes agonia e tudo o que transforma qualquer dor em harmonia Natal é cada dia com todo o seu pormenor

Porquê Natal? *

Quando as bombas deflagram ceifando vidas inocentes, quando há frio e fome e gente a ranger os dentes e a dor dos nossos irmãos nos deixa sempre indiferentes, como podemos falar de Natal, de todos darmos as mãos, de amor, de paz universal?! Sim, porquê Natal?! Para recordar que é possível a esperança, que no meio da escuridão há sempre um resto de luar, que uma flor pode surgir no meio da devastação e fazer uma alma sorrir; que alguém, em qualquer momento e em qualquer lugar,                                                                               pode abrir ...