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As ondas e as algas

Repara como as ondas do mar se sucedem sem cessar abraçando as verdes algas e em constante vibração as águas tornam-se verdes e as algas ondulação

Ecos da existência II

Crescente e profunda a montanha ecoa silêncios * No cume da montanha contemplando o infinito uma cabra montesa * O barro deixa-se moldar por mãos carinhosas   - assim a vida

Uma flor só

Humilde e bela de corola amarela uma flor só brilha sobre as tábuas pardacentas dum banco de jardim Sua haste irrompeu   por milagre na fresta das tábuas do assento do banco do jardim pequeno sol acena feliz a quem passa Sento-me a seu lado com muito cuidado para não a ferir   e me aquecer junto dela uma flor amarela num banco de jardim

Ecos da Existência I

A gaivota preparando   o voo purifica-se na água           * Negro de bico amarelo o melro debica a vida           * O sol levanta-se sobre o rio uma esteira de luz onde meus olhos se deitam

Os segredos da neve

Passos desencontrados no branco imaculado gravados Quantas esperanças foram aqui geradas e vividas despedaçadas   renascidas e escondidas por tantos mantos brancos Árvores despidas com os ramos negros debruados a branco são testemunhas de muitos espantos que o tempo e a neve purificam As árvores são entes com vida presenciando outras vidas que renascem e florescem quando se esvanece o manto branco

Uma fina haste

Uma fina haste tangida pelo vento balança incansável silenciosamente numa dança frenética   embriagante A forma assumida pelas folhas recorta-se contra o azul do céu e varia constantemente várias versões do vento preenchendo o momento ora é pássaro   ora flor orelhas de coelho ou braços de abraçar numa dança de amor O frenético movimento serena   o meu pensamento e por instantes fui aquela haste de folhas ao vento

Ressonâncias

Somos como borboletas a pousar de flor em flor seres únicos  de várias cores encarnamos a mudança a metamorfose   a dança a beleza fugidia em cada instante somos o inconstante um pálido momento ressonâncias fugazes mas capazes de   reinventar o mundo num breve bater de asas