Prosa dos ventos é um blog de poesia com regularidade semanal, em que Alda Carvalho pretende partilhar as suas experiências, emoções e reflexões captadas no quotidiano.
Tudo que para mim se dispa, eu agradeço. É que é uma trabalheira; e então se for árvore e de muita folha, nem te digo nada. Uma árvore que, quando eu passe ou esteja, resolva despir-se ali, toda nuazinha à minha frente, oh yes. Mal comparado, parece aquela lição do nosso livro da terceira classe (salvo erro, mas podia ser da segunda) em que, ao passar o caixão de Santa Joana princesa, as árvores choraram como sabiam, deixaram cair tudo, folhas, flores... resumindo, despiram-se por ela. Árvore que me faça uma dessas, garanto que ajoelho logo ali e nem me importa se as cores não forem as melhores. Rezo-lhe um padre nosso, de caretas. Ok, chega de brincar. Gostei da simplicidade outonal assim deitada aos versos. E também da aguarela. Tu tens um sentido estético muito apurado. Mas é claro que tu sabes isto. BFS.
É ouro sobre azul esta tua homenagem ao outono, despida de folheados e frugal na cor. E contudo irradia sentimento e significado. É um feito de alquimista.
Foto: Alda Carvalho Caminhar respirar a frescura da manhã ou a suavidade cálida do entardecer os pés traçando o caminho sentindo a aspereza da pedra ou o fofo da relva em cada passada seja ela lenta ou apressada o seu ressoar em todo o ser é uma massagem energética e íntima não só ao corpo mas também à alma em reverência à paisagem
Foto: Alda Carvalho os meus poemas são pedaços de vida entrecruzados no nada são palavras com sentido ou vazias à espera de serem preenchidas por alguém são pedacinhos do mundo dispostos à minha maneira mas não são de ninguém porque eu sou uma e várias ao mesmo tempo o que me inspira é poeira no espaço transportada pelo vento que agarro de muitas formas muitas cores muitos sentires muitos sabores tão iguais e tão diferentes aos de outras gentes sinto assim o Universo a escorrer através de mim * Do meu livro “Sopros de Alma”, 2011, Editorial Minerva
7 Foto: Tiago Carvalho A viagem passa agora a ser de carro alugado, rumo ao Grand Canyon. À saída de Flagstag, a montanha com o topo a escorrer neve em contraste com o seu negrume e outros montes de outras cores, enchem-nos os olhos e o coração. A paisagem é desértica com indicação de reserva dos índios Navajos. As formas dos arenitos são surpreendentes atravessados por uma estrada retilínea mas tudo menos monótona. O primeiro objectivo, o Antílope Canyon , um canyon talhado por um afluente do Colorado e onde se pode entrar. As formas talhadas na rocha ao longo de 100 metros e uns 10 de altura, deixam-nos extasiados... Imaginamo-nos envoltos num turbilhão de água, rodopiando e talhando, como golpes de goiva, cavidades cilíndricas que evoluem em espiral retorcidamente e se entrelaçam numa dança frenética e esvoaçante. A luz vinda de fora que não encontra caminho na vertical, ou a encontra raramente, desenha figuras de luz nas paredes e no tecto das rochas circularmente torturadas...
Tudo que para mim se dispa, eu agradeço. É que é uma trabalheira; e então se for árvore e de muita folha, nem te digo nada. Uma árvore que, quando eu passe ou esteja, resolva despir-se ali, toda nuazinha à minha frente, oh yes. Mal comparado, parece aquela lição do nosso livro da terceira classe (salvo erro, mas podia ser da segunda) em que, ao passar o caixão de Santa Joana princesa, as árvores choraram como sabiam, deixaram cair tudo, folhas, flores... resumindo, despiram-se por ela. Árvore que me faça uma dessas, garanto que ajoelho logo ali e nem me importa se as cores não forem as melhores. Rezo-lhe um padre nosso, de caretas.
ResponderEliminarOk, chega de brincar. Gostei da simplicidade outonal assim deitada aos versos. E também da aguarela. Tu tens um sentido estético muito apurado. Mas é claro que tu sabes isto.
BFS.
É ouro sobre azul esta tua homenagem ao outono, despida de folheados e frugal na cor. E contudo irradia sentimento e significado. É um feito de alquimista.
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