Recordações de viagens- Noruega II
II - Kjosfossen - a grande cascata
| Foto: Ana Cotrim |
Antes do início dos trabalhos tivemos algum tempo para
conhecer um pouco mais do país que nos acolhia. Assim viajámos para Bergen, de
comboio. A viagem direta demorava 7
horas mas planeámos uma paragem em
Myrdal.
Há água a rodos: lagos, rios, cascatas… A terra é toda recortada em água. E há nenúfares a bordejar os lagos. A Natureza quase parece intocada, apenas pontilhada por casinhas de madeira. A floresta de coníferas misturadas com faias e bétulas está em todo o lado, e começa a tingir-se de maravilhosos tons outonais.
As pequenas manchas de cultura próximas de Oslo vão rareando
à medida que nos afastamos da grande urbe (mais de 600 000 habitantes).
Glaciares antigos deram origem a rios muito encaixados pois toda a hidrografia
se encaixou pela subida da crosta terrestre. Daí a paisagem de vales
profundos e o mar a prolongar-se por
golfos (fiordes) onde entram grandes barcos.
Há retalhos de neve no cimo das montanhas. Vamos mesmo ao
términus de dois glaciares antes de chegar a Myrdal.
Em Myrdal tomámos um comboio histórico que desce
vertiginosamente ao longo de um vale que vai dar ao fiorde de Bergen. A
paisagem é de cortar a respiração! O
vale é muito encaixado e nele várias cascatas
se despenham de grandes alturas. Há uma cascata fabulosa que desce de um
lago que parece debitar muitos metros cúbicos de água por segundo. Aí o comboio fez
uma paragem para podermos sair e ver uma encenação, acompanhada de música, em
que uma figura ( duas, na minha opinião, mas uma de cada vez, fingindo ser a mesma) aparece em lugares
inesperados. As figuras (iguais, de longos cabelos loiros, vestidas de
vermelho), dançavam ao som da música da cascata acompanhada de efeitos sonoros
artificiais.
Por vezes, o comboio avança em túnel o que só permite ver a
paisagem em pequenas piscadelas de olhos, e as cascatas que se sucedem de um e
outro lado por vezes entrelaçam-se e
tornam-se numa só. Pequenas casinhas de madeira pontuam as encostas.
Chegados a Flam estão grandes navios de cruzeiro que
permitem fazer a viagem até Bergen, a partir dali. Nós permanecemos em Flam e
visitámos o museu ferroviário, onde muito bem explicado, nos mostraram a forma
como foi contruída a linha férrea, documentando a explicação com muitos
artefactos e fotos de pessoas dessa época.
Fizemos a viagem de volta no mesmo comboio em que tínhamos
descido desde Myrdal até ali e, apesar da repetição, a paisagem continuou a
surpreender-nos e até pudemos apreciar melhor o espetáculo das meninas a dançar
junto à grande cascata.
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