Recordações de viagens- Noruega: III
A descida para Bergen, em comboio normal, foi igualmente
espetacular com rios a começar nas neves eternas, a crescer de volume, a
rumorejar por entre as pedras, a meandrizar em pequenas superfícies planas e a
aparecer, ora de um lado, ora do outro da linha férrea. Passámos também vários
túneis, e entre eles a chuva e o vento a assobiar nas folhas das árvores e a
vergá-las, configuravam um cenário mágico. Chegámos a Bergen ao por do sol e a
paisagem encheu-se de luz!
Bergen recebeu-nos de braços abertos, com bom tempo. À saída da estação, um edifício emblemático, existe um enorme lago com um repuxo no meio e um cavaleiro e seu cavalo esculpidos em aço. Ao longo do lago situam-se vários museus.
O hotel onde ficámos era antigo, situado num 4º andar, sem
elevador, por cima do café Hard Rock! Mas não nos demorámos nele. Pousámos as
malas e fomos passear até ao cais de cruzeiros. Jantámos à beira do fiord
maravilhando-nos com a antiga cidade hanseática. As casas em madeira foram
reconstruídas, depois de vários incêndios, tal e qual eram no sec. XII. Algumas ruas entre elas eram em madeira
também!
O amanhecer em Bergen foi suave embora com céu nublado. Felizmente o sol abriu e fomos de funicular até ao cimo da escarpa onde pudemos admirar a posição estratégica de Bergen junto ao fiorde com várias ilhas a proteger do alto mar. A vista é magnifica sobre a cidade e as ilhas à volta.
Estávamos na cidade em que chove em média mais de
2000mm/ano, mas tivemos sorte, pois praticamente não choveu enquanto lá
estivemos! Apenas uma chuvinha na tarde do segundo dia.
No cimo da escarpa deparámo-nos com uma floresta, onde
andámos um pouco a pé e fomos dar a um lago com patos e canoas. Pudemos retornar a Bergen através dessa floresta. O meu pé portou-se bem, e senti-me em
completa comunhão com a paisagem. Os troncos das árvores estavam cheios de
musgo e líquenes e muitos pássaros passeavam-se por ali também.
Bergen surpreendeu-nos pela beleza, pela calma, pelo bom gosto. Percorrida por um rio despenhado em cascata, pedras polidas com posições e formatos extraordinários, e muitas árvores e flores. Cidade acolhedora com o mar a abraçá-la, com estátuas e esculturas originais.
As casas são muito bonitas mesmo as mais modernas e faço um
esboço das mais antigas que revelam heranças da liga hanseática e arte
nova. Amarelos, ocres e sanguínea, as
cores das pequenas casas de madeira a subir pelas encostas e a contrastar com o
verde intenso das árvores.
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