Recordações de viagens- Noruega IV

 IV - Lagos glaciares

Foto: Ana Cotrim


De comboio de Bergen para Oslo foram 7 horas, mas o deslumbramento e sorte á mistura, pois o tempo estava bom com o sol a comparecer, tornaram a viagem fantástica.

Bordejámos o fiorde numa espetacular paisagem com margens abruptas e o comboio a perder-se em túneis sucessivos e a abrir para paisagens ainda mais espantosas. Fomos surpreendidos a cada curva do caminho por cascatas largas e belas como véus esparramados e flutuantes!… Apreciámos cada passo do caminho!

O rio tumultuoso e apressado casava bem com o fiorde de águas calmas. À medida que subímos, a neve apareceu em pequenos retalhos e a certa altura, uma nuvem rodeou o monte em frente, como se fosse uma écharpe branca a acariciar carinhosamente um pescoço… nítido o cume, a base verdejante e a imensa tira branca no meio!...

As árvores iam rareando até aparecer a montanha, no alto, com os retalhos de neve e muitos lagos calmos, como límpidos espelhos, a refletirem a paisagem. Tornava-se difícil distinguir a paisagem do seu reflexo.

Os rios eram, cada vez mais numerosos, mais rápidos e menos caudalosos. É ali que eles começam o seu caminho para o mar. A paisagem é assim muito parecida com minha conhecida da Serra da Estrela. Blocos de granito erráticos…. Senti-me de algum modo em casa!

Na descida para Oslo, os lagos crescem em superfície, mas sempre límpidos e fiéis espelhos, das árvores e das montanhas.

Em Ustaoset há lagos do tamanho de mares, outros  pequenos, com ilhotas de pedras no meio, árvores solitárias, e a montanha a rodeá-los e a deixar-se refletir…

Em Oslo o tempo continuou a nosso favor. Sair da estação com sol tem outro sabor. A entrada da estação é muito bonita com escadarias laterais e as esplanadas  a fervilhar de fregueses. Uma entrada cosmopolita e o tigre em bronze, manso, mas intimidante!...

Fomos aproveitar o sol e passear nos jardins do palácio real, um parque com vários lagos e árvores majestosas. Patinhos, gaivotas, pombos e fracas, convivem ali sem problemas. Pessoas passeiam carrinhos de bebé e dão comida aos patos.  Surgem disputas entre os vários animais.

O render da guarda não desperta grande interesse. A monarquia já não é o que era, seja onde for...

A avenida que desce do palácio real é uma maravilha. As flores são gigantes e os canteiros que as rodeiam são multicoloridos. Há calma e tranquilidade nos jardins enquanto a avenida, com esplanadas, fervilha de gente. Descemos para o fiorde onde fomos encontrar música, flores e até uma corrida que revertia para alguma obra de caridade.

O porto tem muitos veleiros e o City Hall é um edifício pesadíssimo com estrutura  de influência estalinista, embora com jardins muito bonitos a contrastar. Subimos ao forte e fomos contemplar o fim de tarde do alto do morro debruçado sobre a cidade. Há arte a espreitar no interior do forte e junto ao castelo que tem um ar bastante imponente. Atravessámos a ponte levadiça e estávamos de novo no centro da cidade.

        Foto: Tiago Carvalho


Comentários

  1. Ficamos com vontade de viver todas essas coisas que descreves! Tenho pena de não ter feito os teus percursos de comboio, mas essa beleza desmedida da Noruega agarra-se à nossa memória juntando-se a ela a bizarria divertida das imagens dos trolls que povoam o imaginário popular. É muito peculiar a Escandinávia.

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  2. Andamos atrás das tuas palavras a conhecer o desconhecido.
    Um abraço, Alda

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