Recordações de viagens- NoruegaVI
VI-_Oslo
Preparo-me para conhecer a cidade sozinha, que é como eu gosto mais, perder-me nas ruas, parar nas esquinas, entrar nas galerias e nos recantos mais apetecíveis. Sentar-me algures e observar as pessoas a passar, os ruídos, as cores, a música da cidade. Recolher-me nos jardins que aqui abundam.
As gaivotas já
marcaram o território e parecem mansas, não se mexendo quando nos aproximamos.
Incorporaram a calma e a tranquilidade da cidade.
Interessante que,
sendo a Noruega um dos países que mais imigrantes se dispõem a receber (nesta
vaga actual) tem anúncios a avisar que se não estão legalizados o governo lhes
pagará a viagem de volta e ainda lhes dará algum dinheiro para recomeçarem a
vida. Há sempre limites para a solidariedade!
O mundo é paradoxal. O ideal nem sempre é possível de pôr em
prática! A teoria é aberta, a prática impõe limites…
A imaginação não tem limites, as barreiras, essas são
colocadas pela realidade. Precisamos de
saltos quânticos para subirmos de nível? Como fazer para abolir fronteiras de
pensamento? Estas podem não existir, mas existem as da ação... Ou serão as
barreiras de pensamento que limitam a ação? Quão longos e difíceis são os
caminhos da vida!
Com a cabeça a fervilhar
desço a escarpa até ao porto e passeio lentamente, envolvendo o fiorde,
até ao museu de arte contemporânea numa zona de arquitetura moderna ainda mais
depurada. O museu de Pianno Renzo. À volta a arquitetura é consonante.
Edifícios de linhas puras e jardins condizentes.
A cidade é uma sobreposição de planos, do contemporâneo ao
mais antigo, passando por vários níveis de modernidade.
O meu pé queixa-se e sento-me junto ao fiorde a contemplar o
movimento.
Uma gaivota jovem sobrevoa em dois círculos e opta por
poisar no casco ferrugento de um navio ali acostado soltando um grito. De
desagrado?... De chamamento?...
Subitamente solta-se num novo voo e junta-se a outro voo.
Observo os veleiros por entre as badaladas do relógio da
torre do Parlamento.
Levanto-me e procuro outro lugar para observar outro veleiro
que vejo chegar.
Vou até à Opera, um edifício singular com telhados e rampas para serem pisados. Tiro fotos em contraluz e contemplo a cidade dos vários níveis do edifício. A toda a volta guindastes. A cidade está em crescimento e remodelação intensos! Sento-me junto á água a contemplar as gaivotas e com o frio a chegar vou ler para o hotel.
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