Viagem a Barcelona I ( 21-24/04/2026)
I
Já tinha estado em Barcelona algumas vezes, com o Zé,
pois ele teve lá várias reuniões ligadas ao seu trabalho e eu acompanhava-o
sempre que podia.
Mas o convite para visitar a Sagrada Família, acompanhando a
Joana e os filhos, foi muito bem recebido.
Também já conhecia a Sagrada Família, inclusivamente tinha
assistido lá a uma missa e a recordação do ambiente
mágico no interior da Catedral ficou indelével na minha memória.
Chegámos já era noite e, mal pousamos as malas, fomos
reconhecer a envolvente do hotel e procurar qualquer coisa para comer. Acabámos
por ir parar a um MacDonalds!...
Mas o passeio deu para sentir o pulsar da cidade numa zona relativamente recente, que infelizmente estava em obras. Aliás estava muita coisa em obras por Barcelona!...
Deu para vermos o sky line da Sagrada
Família e de uma torre moderna e colorida - Torre Glóries.
De resto verificámos que havia baratas passeando-se na
calçada e alguns “sem abrigo” preparando-se para dormir nos bancos, ao relento. Mas
a temperatura estava agradável.
Na manhã seguinte dirigimo-nos à Praça da Catalunha depois de tomarmos o pequeno almoço numa esplanada na avenida Diagonal. O desenho de grande parte
das avenidas é de uma rua central só para peões e as laterais para carros.
Nessa avenida com edifícios de arquitectura muito cuidada, o movimento é
arejado pois os automóveis passam nas áleas laterais e pode-se sentir o pulsar
da cidade e admirar a arquitectura bela e variada dos edifícios adjacentes.
Viam-se muitos turistas misturados com
os afazeres diários da população local bastante envelhecida. A imagem que destaco é a de uma rapariga de aspecto sul-americana conduzindo numa cadeira de rodas uma velha senhora.
Virámos depois para o Passeo de Gracia seguindo para a Praça
da Catalunha. Nesse trajecto sucedem-se edifícios de arquitectura requintada
e variada e os Rés do Chão alocados
a grandes marcas de alta costura… Muita
gente e muitos mendigos a contrastar com o luxo da avenida. Vários edifícios
icónicos de Gaudi como a Pedreira e a casa Batlló.
Fomos interceptadas por uma vendedora de um cosmético
maravilhoso, instantâneo e durável, que tirava as rugas, mas que não nos convenceu, apesar da oferta de
descontos fabulosos.
Passámos pelo El Corte Inglês onde comprámos o almoço, que comemos na Praça da Catalunha, apreciando o movimento entre as duas fontes e uns acordes no piano de cauda, um tanto desafinado.
E após o repasto, a Joana não perdeu uma loja de segunda mão
e por causa disso, quase perdíamos a hora da marcação na Sagrada Família, porque
o Metro estava fechado na Praça da
Catalunha, por motivo de obras. Valeu-nos o Alex que nos guiou para uma outra
estação de Metro e assim conseguimos chegar
mesmo em cima da hora marcada.
Integrámos um grupo cuja guia foi exceptional, destacando os
principais aspectos ligados à construção da catedral começada por Gaudi e de todo o seu
percurso e percalços, relativamente ao
autor e à sua obra.
Subimos à última torre acabada recentemente, com 172.5 metros
de altura porque a montanha mais alta de Barcelona tem 175 metros e o “homem
não podia exceder o Criador Supremo”.
Toda a história de Gaudí
é extraordinária e foi contada minuciosamente pela guia e também está descrita minuciosamente em
vários documentos, numa exposição na cripta da catedral.
Subimos de elevador à torre mais alta, mas a descida, mais de 500 degraus numa escada estreita em
caracol, foi difícil e parecia nunca mais acabar!… mas permitiu ver os
pormenores da decoração de flores e frutos das torres e valeu-nos as
vistas que se iam tendo da cidade e
arredores.
Acabámos por ver no final, e minuciosamente, toda a descrição da história de Gaudi contada na cripta da Catedral, desde as maquetas que ele fazia para cada parte do edifício e da sua decoração, ao seu ambiente de de trabalho e de toda a sua actividade até á sua morte. Foi atropelado por um tranvia e internado num hospital para mendigos pois não foi identificado.
Gaudí, um homem que considerava a espiritualidade o motor de toda a sua obra, foi uma personagem fascinante e multifacetada!
A árvore que ele
fotografou junto à sua casa foi apresentada como um motivo inspirador. A Natureza é Deus como Espinosa dizia, e eu
concordo e subscrevo.


Bolas! Mas que família bonita e bem disposta!
ResponderEliminarGaudi pessoa é um com a obra (acho eu); ambos sublimes.
Nunca subi no elevador, suponho que não subirei ou, pelo menos, apesar da beleza do caminho, sinto-me incapaz de descer 500 degraus.
Relembrei Barcelona no teu texto, é uma cidade vibrante. Que, por condições muito específicas não esquecerei enquanto a memória exerça o seu papel. Tem os mesmos defeitos das nossas cidades pequenas, e virtudes arquitectónicas de perfeição e originalidade notáveis.
Que bom teres voltado a Barcelona, desta vez com a família.