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Ecos da Existência V

Fustigado pelo vento o flexível bambu não quebra   dança                     * Mínimas que sejam as ondas deixam suas marcas na praia                     * Os sonhos raramente se cumprem mas o seu rasto é perfeito não raro melhor que o próprio sonho

Ilusões

O que resta do que vemos lemos   ouvimos   gostamos são fragmentos cruzamento de olhares pressentimentos ecos doutros lugares de vários tempos Incapazes de apreender o real costuramos no momento vislumbrados fragmentos quebrados    inconsistentes nostálgicas ilusões da mente Somos breve aragem esfumada lente deformada conta de vidro caleidoscópica corrente de indecifrável sentido uma paisagem criada ou recriada a ninguém pertence

Ecos da existência IV

Hoje é menos voluptuoso o faiscar do rio mas mais misterioso neste Verão tardio * O céu escurece o canto da passarada agradavelmente ensurdece                   * Cada momento é uma encruzilhada sobre o nada uma escolha de ilusões desenhadas na água

Um grão de infinito

O mundo é um escaparate e a vida um abismo mas em tudo escavando há o riso e o pranto a dor e o canto o silêncio e o grito um sopro    uma asa um lugar    uma casa um grão de infinito

Como vida

Antepassado guerreiro celebro teu esforço   fé    coragem e denodo os desafios que enfrentaste com a espada   a pena ou a enxada Trespassaste tempestades agruras do tempo e rigores da vida desceste aos abismos e transcendeste-te No chão embebido de alegrias e dores nos frutos renovados    nos versos cantados nos sonhos perdidos eu me alimento e encontro abrigo nos rumores que respiro encontro alento e me inspiro Venero a tua herança no voo mais puro  do mais puro espanto e curvo-me comovida

Medos *

Medo é um monstro com muitos braços que nos amarra e tolhe os passos que nos isola e angustia e está à espreita noite e dia Medo é   uma prisão que rouba o presente que nos enlouquece que nos esmaga o peito e tira o ar que nos embrutece Ter medo é um desnorte é não crer no amanhã é perder o sentido da vida e antecipar a morte Ter medo é naufragar no caos é não dormir ou dormir acordado é não ter poder sobre nós nem sobre nada Vivemos num oceano de medos que nos faz sofrer temos medo de adoecer medo de perder alguém e também de perder as nossas mordomias medo de não sermos amados como julgamos merecer medo de não sermos capazes de fazer acontecer medo que o futuro nos desiluda medo que o passado nos volte a bater à porta medo da cepa torta medo da   solidão e das multidões medo de aranhas e de furacões medo das alturas e das agruras da vida medo do novo e do que há-de vir medo de não acordar ou de...

Meditação à beira rio

O rio é um apelo e uma porta neste universo transverso Águas apressadas transportam equilíbrios inconstâncias ondulação espuma cintilação silêncio... Desligo a mente e navego em sentido contrário à mesma velocidade da corrente Sentada no ancoradouro sinto-me deslizar em contra corrente e deixo-me levar O tempo pára não sei quanto tempo Fito a margem a serra estática novamente a corrente já não sei o que é real e o que é aparente Olho para o chão que piso de mensagens de amor cravejado será o amor imenso relativo e absoluto ao mesmo tempo