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O sentido da vida

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  Foto :Alda Carvalho Subimos e descemos a montanha vezes sem fim desaguamos em mares somos marés   em círculos concêntricos ou tímidas espirais ora rasgando as vestes em rochosas saliências ora batendo as asas em animadas fremências traçamos caminhos e construímos quimeras   sozinhos ou acompanhados levados seremos   e perceberemos  que não somos totalmente da nossa vida   soberanos somente do sentido que lhe damos

A minha árvore*

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  Foto: Alda Carvalho   Tenho uma árvore à minha espera que me enche a alma me anima e acalma   Gosto de beber o ar que a desfolha e a despenteia de percorrer a sombra que a rodeia e de ouvir os seus murmúrios matizados de verde e de brisa   Converso com ela confio-lhe os meus segredos e os meus medos   Elevo-me na sua verticalidade e sinto-me por momentos em voos de liberdade  * Do meu livro “Sopros de Alma”, 2011, Editorial Minerva

Quando a vida nos chama

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  Foto: Alda Carvalho Quando a vida nos chama nem sempre apetece recomeçar de novo   Cada recomeço de ténue claridade é desconhecido trilho de passos incertos a esperança acenando a ansiedade crescendo   mas se o medo nos habita e a incerteza espreita a aventura é chama que alimenta e deleita   Enfrentemos cada recomeço abraçando os opostos que o definem com os sentidos bem abertos e alegria renascida pois não nascemos para a morte mas sim para a vida  

Recomeçar

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  Foto:Alda Carvalho O que a vida nos oferece é um mundo aberto repleto de possibilidades em que a cada dia uma noite sucede   e se aurora nos traz a luminosa esperança que horizontes amplia a noite gera inquietude que deprime e quebranta   em ciclos infinitos de abrir e fechar de asas reflexão e prudência distensão e ousadia é que o voo se relança      

Não fora...

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Foto: Alda Carvalho Não fora a beleza e a grandeza dos poentes ou a promessa de auroras grávidas de luz   Não fora o palpitar da centelha inicial no seu rememorado vibrar   Não fora a serenidade da luz da lua e a calma que emana só de olhar   Não fora o cenário diverso e profundo que nos enquadra e nos amplia   Não fora o fulgor do olhar puro das crianças que nos enternece e engrandece   Não fora a própria dor em todos os seus regressos que nos alerta e nos faz crescer   Não fora um grão de esperança que sempre guardamos no fundo da algibeira   como arrostar cada dia e onde ir buscar a alegria que no cosmos nos revela a harmonia inteira    

O princípio do mundo

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  Foto: Alda Carvalho Transportamos connosco o princípio do mundo a primeira centelha a primeira poeira a primeira água a primeira aragem   Somos uma amálgama que em ligação com todos os seres animamos o teatro do mundo da superfície ao mais profundo   Somos o tudo e o nada ao mesmo tempo   Somos o fruto e a semente possibilidades de encontro não irrompem rente ao chão mas nas alturas da mente  

Aperfeiçoo a focagem

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  Foto: Alda Carvalho   Estou onde quero estar com memórias escavadas no tempo ou que invento no momento o pensamento tem o poder de mudar o pensamento   É Outono quase Inverno as árvores e a montanha definem   as cores e os declives da paisagem está tudo envolto em bruma       Estremeço está frio e quente ao mesmo tempo ar frio coração quente olhos em chama   A bruma vai-se esfumando lenta e as cores ganham brilho a paisagem em suspensão ganha movimento e novas geometrias   Uma janela rasgada sobre a paisagem recorta árvores de espécies diferentes aperfeiçoo a focagem   Os troncos verticais são escadas para o alto linhas de fuga para o olhar cada caule é um mundo de simbioses com musgos e líquenes a desenhar texturas e formusuras