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Pequeno almoço

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  Aguarela: Alda Carvalho Estou sentada à mesa e saboreio chá de ervas e pão com manteiga   A natureza à minha volta contemplo   a dança das folhas trespassadas pelo vento   o canto dos pássaros entrecortado de silêncio   o verde das árvores  com brilhos diferentes   Saberão as árvores os pássaros e o vento serem razão deste encantamento

Instantes*

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Foto: Alda Carvalho Há instantes que nos arrebatam que nos enternecem outros que se arrastam e nos entristecem   Há instantes tão grandes a rondar o eterno outros tão pequenos que mal aparecem   Há instantes perfeitos como se fossem rosas outros imperfeitos de dobras espinhosas   Mas não são as coisas que mudam de figura é o nosso olhar que as transfigura a nossa alegria dá-lhes novas cores a nossa tristeza tinge-os de dores   Se eu pudesse ver com olhos de poeta o coração das coisas talvez conseguisse transformar certos instantes * Do meu livro “Sopros de Alma”, 2011, Editorial Minerva

Quietude

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Foto: Alda Carvalho Bordeja a margem do rio uma fila de tenras hastes cortina ténue agitada por uma brisa breve   uma pequena ave poisa leve imóvel e suspensa seu peso da suavidade da brisa   outra ave vem juntar-se a ela num desafio de longo voo agitando forte a cortina ténue   um barco corta a quietude do momento na qual me concentro e disperso ao mesmo tempo  

Gosto do verbo amar*

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Foto: Alda Carvalho Amo os sítios onde a luz ofusca e a cor se multiplica em miríades de tons   Amo os contornos das formas visíveis e invisíveis   Amo o percurso do dia o amanhecer e o acordar e a   noite a chegar e a desfazer-se em estrelas   Amo o ruído do mar com as ondas a rolarem espuma   Amo a doçura do teu olhar   Amo o que vivi e o que não vivi e tenho de inventar   E amo conjugar o verbo amar * Do meu livro “Sopros de Alma”, 2011, Editorial Minerva

O sentido da vida

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  Foto :Alda Carvalho Subimos e descemos a montanha vezes sem fim desaguamos em mares somos marés   em círculos concêntricos ou tímidas espirais ora rasgando as vestes em rochosas saliências ora batendo as asas em animadas fremências traçamos caminhos e construímos quimeras   sozinhos ou acompanhados levados seremos   e perceberemos  que não somos totalmente da nossa vida   soberanos somente do sentido que lhe damos

A minha árvore*

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  Foto: Alda Carvalho   Tenho uma árvore à minha espera que me enche a alma me anima e acalma   Gosto de beber o ar que a desfolha e a despenteia de percorrer a sombra que a rodeia e de ouvir os seus murmúrios matizados de verde e de brisa   Converso com ela confio-lhe os meus segredos e os meus medos   Elevo-me na sua verticalidade e sinto-me por momentos em voos de liberdade  * Do meu livro “Sopros de Alma”, 2011, Editorial Minerva

Quando a vida nos chama

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  Foto: Alda Carvalho Quando a vida nos chama nem sempre apetece recomeçar de novo   Cada recomeço de ténue claridade é desconhecido trilho de passos incertos a esperança acenando a ansiedade crescendo   mas se o medo nos habita e a incerteza espreita a aventura é chama que alimenta e deleita   Enfrentemos cada recomeço abraçando os opostos que o definem com os sentidos bem abertos e alegria renascida pois não nascemos para a morte mas sim para a vida