Prosa dos ventos é um blog de poesia com regularidade semanal, em que Alda Carvalho pretende partilhar as suas experiências, emoções e reflexões captadas no quotidiano.
Foto: Alda Carvalho comtemplando tamanha água sejá lago rio ou mar espelho osmose entre mim e a água tempo de meditar reflexos estremecem deformadas imagens de arbustos a bailar reverberações pedras submersas ou emersas pinceladas de luar transparência jogos de luz e sombra laços de amar
Foto: Internet * a terra está ferida e no chão que pisamos muito poucos reparam pois mal enxergamos somente o crescimento nos convida e seduz em selectiva cegueira que à perdição conduz mas vozes tecidas de luz alertam técnica e ciência para a mudança de rumo com a máxima urgência no meio do desvario ainda haverá esperança se olharmos o caminho com olhos de criança ...
Foto: Alda Carvalho As folhas despedem-se das árvores vestidas de várias cores como se fosse uma festa com traje a rigor formam no chão mantos coloridos onde diversos animais procuram abrigo Olho as folhas dos plátanos e das ginkobilobas caídas e apetece-me deitar num manto assim as folhas são obras de arte agradecidas que irão servir de alimento à árvore mãe como um ciclo de amor que se renova em cada outono e assim a ligação da folha à árvore não tem fim É como se a morte fosse outra maneira de estar na vida vida-morte -vida assim cada folha caída
Foto: Alda Carvalho Por vezes recebemos vibrações de muito longe como se um segredo antigo viesse até nós luzes que aparecem repentinamente sem dizerem porquê trazemos connosco mistérios na forma de caóticos pensamentos grávidos de ideias sublimes resposta a um anseio ou a um desejo íntimo que emergiu em nós vibrações em consonância e ressonância com o cosmos semeadas secretamente entre nós
Foto: Alda Carvalho Há paraísos escondidos de olhares distraídos Paraísos deslumbrantes impactantes feitos de terra mar e céu Paraísos de uma serenidade que apetece e enternece Uma graciosa baía numa ria rodeada de rochedos graníticos com enormes cristais nascidos nas profundezas por tempos infindos torturados jazendo agora à superfície muito fissurados Arrisco cavalgá-los e comtemplar do alto as suas variadas formas com pequeninas lagoas dentro e a praia de areias finíssimas iluminadas por luzes íntimas A mica brilha na areia na onda que se despenha nas rochas de que faz parte Tudo brilha Tudo é luz Demoro-me na contemplação da paisagem tendo como único sonido o leve marulhar do mar a namorar a baía
Encaustica: Alda Carvalho a música evola-se no ar leve e graciosa avanças a vertigem toma-te nos braços enredada rodopias sentes o abraço mais perto perdes-te nos passos do par e tudo à tua volta dança passos ritmados e conjugados movimentos de ascensão harmonia e transgressão de solene voo nostalgia breve e intenso voo mesmo se rente ao chão quanta ilusão