Prosa dos ventos é um blog de poesia com regularidade semanal, em que Alda Carvalho pretende partilhar as suas experiências, emoções e reflexões captadas no quotidiano.
a gente apressa-se a viver a vida que não tem pressa e nem nota, mas quase tudo em nós é memória. Que não nos falte a construtora incansável a colar-nos à realidade. Sem ela, quem seríamos, o quê.
Vemos para além da realidade- às vezes só vemos o que é feio -, mas basicamente vemos o que queremos ver. É preciso treinar mais os olhos e a mente para ver beleza. Gosto da imagem do muro tipo puzzle (embora, na minha mente, prefira imaginá-lo sem juntas brancas).
Foto: Alda Carvalho Caminhar respirar a frescura da manhã ou a suavidade cálida do entardecer os pés traçando o caminho sentindo a aspereza da pedra ou o fofo da relva em cada passada seja ela lenta ou apressada o seu ressoar em todo o ser é uma massagem energética e íntima não só ao corpo mas também à alma em reverência à paisagem
Foto: Alda Carvalho os meus poemas são pedaços de vida entrecruzados no nada são palavras com sentido ou vazias à espera de serem preenchidas por alguém são pedacinhos do mundo dispostos à minha maneira mas não são de ninguém porque eu sou uma e várias ao mesmo tempo o que me inspira é poeira no espaço transportada pelo vento que agarro de muitas formas muitas cores muitos sentires muitos sabores tão iguais e tão diferentes aos de outras gentes sinto assim o Universo a escorrer através de mim * Do meu livro “Sopros de Alma”, 2011, Editorial Minerva
Foto: Alda Carvalho Ontem o meu coração disparou desordenadamente como cavalo desgarrado em corrida desenfreada. O medo tomou conta de mim e de ambulância fui parar ao S. José conduzida por uma médica e uma enfermeira eficientes e carinhosas. Fui recebida por comitiva imensa que me ligaram a inúmeros fios e correntes e mediram inúmeros parâmetros. E ali fiquei só, no meio da noite, embora rodeada de gente a passar, frente a um relógio que minuciosamente me indicava, piscando, cada segundo em cor vermelha brilhante. Uma enfermeira passava de vez em quando, vigiando os aparelhos e sorria e eu sorria para ela. Nunca me tinha dado conta de como a noite é longa e barulhenta, num hospital! Ouvia, dentro daquelas três paredes, ou melhor duas, ou talvez não houvesse paredes, apenas divisórias movíveis, tudo o que se passava lá fora: alguém chamando sempre pelo mesmo nome que nunca respondia, inúmeros e diferenciados ais, gente a passar em fren...
a gente apressa-se a viver a vida que não tem pressa e nem nota, mas quase tudo em nós é memória. Que não nos falte a construtora incansável a colar-nos à realidade. Sem ela, quem seríamos, o quê.
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