Prosa dos ventos é um blog de poesia com regularidade semanal, em que Alda Carvalho pretende partilhar as suas experiências, emoções e reflexões captadas no quotidiano.
a gente apressa-se a viver a vida que não tem pressa e nem nota, mas quase tudo em nós é memória. Que não nos falte a construtora incansável a colar-nos à realidade. Sem ela, quem seríamos, o quê.
Vemos para além da realidade- às vezes só vemos o que é feio -, mas basicamente vemos o que queremos ver. É preciso treinar mais os olhos e a mente para ver beleza. Gosto da imagem do muro tipo puzzle (embora, na minha mente, prefira imaginá-lo sem juntas brancas).
Foto: Alda Carvalho Caminhar respirar a frescura da manhã ou a suavidade cálida do entardecer os pés traçando o caminho sentindo a aspereza da pedra ou o fofo da relva em cada passada seja ela lenta ou apressada o seu ressoar em todo o ser é uma massagem energética e íntima não só ao corpo mas também à alma em reverência à paisagem
Foto: Alda Carvalho os meus poemas são pedaços de vida entrecruzados no nada são palavras com sentido ou vazias à espera de serem preenchidas por alguém são pedacinhos do mundo dispostos à minha maneira mas não são de ninguém porque eu sou uma e várias ao mesmo tempo o que me inspira é poeira no espaço transportada pelo vento que agarro de muitas formas muitas cores muitos sentires muitos sabores tão iguais e tão diferentes aos de outras gentes sinto assim o Universo a escorrer através de mim * Do meu livro “Sopros de Alma”, 2011, Editorial Minerva
Foto: Jorge Espinha Marques * O Fado mora em Lisboa mas vive em qualquer lugar que o Fado é livre e tem asas ninguém o pode amarrar. O Fado é vida e é sonho ora é choro ora é canção o Fado é alma que voa da palma da nossa mão. O Fado é luz do poente uma guitarra a trinar o Fado fulge um momento tão belo como o luar. Fado é destino sonhado folha branca a ser escrita que a vida vai preenchendo com os caminhos da vida. * Fotógrafo premiado, Professor na Faculdade de Ciências do Porto, na área de Geologia.
a gente apressa-se a viver a vida que não tem pressa e nem nota, mas quase tudo em nós é memória. Que não nos falte a construtora incansável a colar-nos à realidade. Sem ela, quem seríamos, o quê.
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