Prosa dos ventos é um blog de poesia com regularidade semanal, em que Alda Carvalho pretende partilhar as suas experiências, emoções e reflexões captadas no quotidiano.
a gente apressa-se a viver a vida que não tem pressa e nem nota, mas quase tudo em nós é memória. Que não nos falte a construtora incansável a colar-nos à realidade. Sem ela, quem seríamos, o quê.
Vemos para além da realidade- às vezes só vemos o que é feio -, mas basicamente vemos o que queremos ver. É preciso treinar mais os olhos e a mente para ver beleza. Gosto da imagem do muro tipo puzzle (embora, na minha mente, prefira imaginá-lo sem juntas brancas).
Foto: Alda Carvalho Caminhar respirar a frescura da manhã ou a suavidade cálida do entardecer os pés traçando o caminho sentindo a aspereza da pedra ou o fofo da relva em cada passada seja ela lenta ou apressada o seu ressoar em todo o ser é uma massagem energética e íntima não só ao corpo mas também à alma em reverência à paisagem
Foto: Alda Carvalho os meus poemas são pedaços de vida entrecruzados no nada são palavras com sentido ou vazias à espera de serem preenchidas por alguém são pedacinhos do mundo dispostos à minha maneira mas não são de ninguém porque eu sou uma e várias ao mesmo tempo o que me inspira é poeira no espaço transportada pelo vento que agarro de muitas formas muitas cores muitos sentires muitos sabores tão iguais e tão diferentes aos de outras gentes sinto assim o Universo a escorrer através de mim * Do meu livro “Sopros de Alma”, 2011, Editorial Minerva
7 Foto: Tiago Carvalho A viagem passa agora a ser de carro alugado, rumo ao Grand Canyon. À saída de Flagstag, a montanha com o topo a escorrer neve em contraste com o seu negrume e outros montes de outras cores, enchem-nos os olhos e o coração. A paisagem é desértica com indicação de reserva dos índios Navajos. As formas dos arenitos são surpreendentes atravessados por uma estrada retilínea mas tudo menos monótona. O primeiro objectivo, o Antílope Canyon , um canyon talhado por um afluente do Colorado e onde se pode entrar. As formas talhadas na rocha ao longo de 100 metros e uns 10 de altura, deixam-nos extasiados... Imaginamo-nos envoltos num turbilhão de água, rodopiando e talhando, como golpes de goiva, cavidades cilíndricas que evoluem em espiral retorcidamente e se entrelaçam numa dança frenética e esvoaçante. A luz vinda de fora que não encontra caminho na vertical, ou a encontra raramente, desenha figuras de luz nas paredes e no tecto das rochas circularmente torturadas...
a gente apressa-se a viver a vida que não tem pressa e nem nota, mas quase tudo em nós é memória. Que não nos falte a construtora incansável a colar-nos à realidade. Sem ela, quem seríamos, o quê.
ResponderEliminarVemos para além da realidade- às vezes só vemos o que é feio -, mas basicamente vemos o que queremos ver. É preciso treinar mais os olhos e a mente para ver beleza. Gosto da imagem do muro tipo puzzle (embora, na minha mente, prefira imaginá-lo sem juntas brancas).
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