Recordações de Viagens VII
Viagem á Austrália, Nova Zelândia e Dubai
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No último dia não podemos ir à
ilha prometida por causa da agitação marítima, mas tivemos um percurso
alternativo ao vulcão Tongariro.
Não ia preparada para esta montanha. O tempo
não estava de feição e fiquei no autocarro, embora numa aberta tivesse andado
um pouco no meio da serra que estava coberta de nevoeiro sempre a rodopiar.
Estavam 8ºC graus às 13:00, mas o vento fazia descer a temperatura muitíssimo.
Em frente a nós a tundra,
vegetação de alta montanha que sucede as neves. Estamos no Outono. Na semana seguinte o nosso guia mandou uma
foto com sol e neve.
Como todas as montanhas esta tem
o seu quê de enigmático, o nevoeiro rodeia-a em abraços, impulsionado pelo
vento forte, e assim a vai cobrindo e descobrindo como uma misteriosa dança de
véus.
Espero pelos mais aventureiros e
vou escrevendo palavras para matar o tempo, na esperança de uns acertos… quer
das palavras, quer do tempo.
Temos andado numa correria e nem
tempo para guardar memórias. O nosso guia é muito rigoroso e dá ordens curtas e
secas, mas sempre simpático! Embora fique nervoso quando nos atrasamos. Já me disse a seguir ao jantar dos Maori e da
visita ao geiser” I rush you”, embora com um sorriso. Ao jantar ficou na
nossa mesa e disse que nos considerava família porque o avô de um avô era
português vindo num galeão de pesca da baleia. Confirma-se, a cada passo, que
todos estamos ligados de uma maneira ou outra!
No dia seguinte rumámos a Auckland, de autocarro,
passando por prados verdejantes onde vacas felizes pastavam rodeadas de renques
de árvores para cortar o vento e para amenizar a paisagem.
Na ausência de fotos insiro aqui o poema sobre
Tangariro escrito no local.
Montanha Mágica*
Submersa em rodopiante neblina
como véus numa dança inebriante
mudas de rosto a cada instante
presença que mesmo ausente
se adivinha
Imponente quando nua
se tocada pelos elementos
escorres água
que em rios e lagos desagua
O sol transforma-te em cores
e a tundra que a neve esmaga
subterraneamente espera
pela próxima Primavera
As tuas entranhas
guardam o fogo sagrado
que já derramaste
quando em turbulência
te acrescentaste em existência
Embora velada
só de pressentir-te
montanha sagrada
a tua existência acrescentou-se à
minha
assim eu me acrescentasse à tua
* Tongariro -Nova Zelândia
Ainda bem que não saíste para o frio e para o nevoeiro. Assim, dialogaste com o Tongariro e escreveste-lhe esse poema laudatório tão profundo, caloroso - bonito. É como se o conseguíssemos ver e ao seu percurso através dos teus versos. Deve ter ficado muito agradado, talvez um pouco envergonhado, pois compreendeu certamente, se não o Português, o olhar que com ele trocaste. Aqui já tinhas em ti um pouco da alma Maori.
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