Recordações de Viagens VIII



                                                   Viagem á Austrália, Nova Zelândia e Dubai

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                                                                     Foto: Professor João Carlos Nunes


De Auckland a Lisboa tivemos uma escala em Sidney e outra no Dubai. Aqui decidimos fazer uma paragem para conhecer este país onde ficámos uma noite e um dia.

Foi uma desilusão!

O aeroporto é imponente, sem dúvida, mas depois das maravilhas da Natureza e da própria paisagem humanizada de Melbourne e da Nova Zelândia não podia haver maior contraste. No Dubai tudo é postiço!

Arranha céus muito lindos, mas só se pode estar no ar condicionado dos hotéis que têm tudo, desde lojas a entretenimento (aquário, jogos de água, atividades culturais…) ou no ar condicionado dos táxis. Até as paragens dos autocarros têm ar condicionado!... O deserto espreita nas margens da cidade, as faixas de rodagem das autoestradas são 7 de cada lado e há muito trânsito!…

As mulheres de burka e os homens de jilaba e lenço branco coroado por um cordão negro, são os habitantes locais. Os homens estão no aeroporto onde levam um tempão para carimbar o passaporte, de resto só se vêm a passear. Os empregos vulgares estão entregues a indianos e outros emigrantes.

O calor é assustador e a atmosfera amarela, densa, toldando as imagens e fazendo-as dançar. Os arranha-céus ao longe são apenas incorpóreos fantasmas.

 Visitámos o American Garden que é uma profusão de flores de várias cores e espécies, desenhando com mestria esculturas, casas, faróis, pássaros, corações, carros, comboios, e toda a espécie de construções, de fábulas, de imaginações…. Mas andar entre os canteiros é doloroso devido à elevadíssima temperatura! Nem dá para perceber a arte de cada construção.

Quanto trabalho e despesa na rega gota a gota para manter a beleza floral ao lado do deserto puro e duro!

No Dubai tudo é artificialidade, incongruência, luxo incomensurável, grandes desigualdades…  num clima insuportável. O horizonte é invisível.

Foi bom conhecer, mas não deixa saudades de voltar. 4000 Km2 de superfície, muitos mais em altura,  2 milhões de habitantes, a maioria estrangeiros que são a principal mão de obra, e… as burkas são figuras sinistras com olhos fugidios. 



                                                                  Foto: Natércia Nunes







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