Garças
![]() |
| Foto: Alda Carvalho |
procurava a garça branca
que me havia encantado
pois toda ela era graça
neste recanto parado
encontrei uma garça cinzenta
só triste e assustadiça
que não se deixou fotografar
e somente do voo
a sua despedida pude capturar

Também eu, quando ainda era crente, procurei um ser branco, puro e lindo. Mas não encontrei. Todos tinham mácula, cinzentos, tristes e assustadiços.E quando finalmente, anos passados em buscas sem sucesso, vislumbrei um ser perfeito, só consegui guardar a sua imagem durante o seu voo de despedida. E deixei de acreditar.
ResponderEliminarO que buscamos só por vezes é alcançável, mas o poema é lindo e capturou esse ser no seu voo singular cujo cinzento fica tão bem a sulcar o cèu azul. A garça branca vai aparecer num outro dia. Este, porém, ficou ganho.
ResponderEliminarNão sei, penso que raramente encontramos o que procuramos. Nem sempre o diferente é desilusão. Pode ser apenas diferença. E surpresa. O diverso falha a fixidez. Se o esperado coincidisse com a realidade a vida teria menos cambiantes.
ResponderEliminarContudo, há inesperados que são mágoa e dor. Mas, quem sabe, são necessários.
Quanto às garças: nos teus olhos, cada uma terá a sua hora.