Garças

 

Foto: Alda Carvalho



procurava a garça branca

que me havia encantado

pois toda ela era graça

neste recanto parado

                                              

                                          encontrei uma garça cinzenta 

                                                          só   triste e assustadiça

                  que não se deixou fotografar

                                                                  e somente do voo  

                                                                                                          a  sua despedida  pude capturar

Comentários

  1. Também eu, quando ainda era crente, procurei um ser branco, puro e lindo. Mas não encontrei. Todos tinham mácula, cinzentos, tristes e assustadiços.E quando finalmente, anos passados em buscas sem sucesso, vislumbrei um ser perfeito, só consegui guardar a sua imagem durante o seu voo de despedida. E deixei de acreditar.

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  2. O que buscamos só por vezes é alcançável, mas o poema é lindo e capturou esse ser no seu voo singular cujo cinzento fica tão bem a sulcar o cèu azul. A garça branca vai aparecer num outro dia. Este, porém, ficou ganho.

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  3. Não sei, penso que raramente encontramos o que procuramos. Nem sempre o diferente é desilusão. Pode ser apenas diferença. E surpresa. O diverso falha a fixidez. Se o esperado coincidisse com a realidade a vida teria menos cambiantes.
    Contudo, há inesperados que são mágoa e dor. Mas, quem sabe, são necessários.
    Quanto às garças: nos teus olhos, cada uma terá a sua hora.

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