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Inevitavelmente

Inevitavelmente o mundo está aí pleno de possibilidades à espera de ser acordado por ti Inevitavelmente por muito que queiramos por muito que lavemos as mãos deixamos marcas naquilo que tocamos Inevitavelmente apesar do muito esforço o caminho é pedregoso pois coração e razão nem sempre estão de acordo

Natal é agora

Quando um ser nasce é Natal seja uma flor   uma estrela ou um cristal seja uma ideia   uma criança ou um amor seja lá o que for   há-de ser um mundo inteiro Natal é agora e sempre que um olhar se demora em qualquer ser que desponta Natal é amor primeiro que floresce e inebria Natal é uma onda que inunda a terra inteira E quando o anel se amplia evidencia que aquilo que os seres   une é maior que aquilo que os distancia Na família   nos amigos   na humanidade inteira Natal é por vezes agonia e tudo o que transforma qualquer dor em harmonia Natal é cada dia com todo o seu pormenor

Porquê Natal? *

Quando as bombas deflagram ceifando vidas inocentes, quando há frio e fome e gente a ranger os dentes e a dor dos nossos irmãos nos deixa sempre indiferentes, como podemos falar de Natal, de todos darmos as mãos, de amor, de paz universal?! Sim, porquê Natal?! Para recordar que é possível a esperança, que no meio da escuridão há sempre um resto de luar, que uma flor pode surgir no meio da devastação e fazer uma alma sorrir; que alguém, em qualquer momento e em qualquer lugar,                                                                               pode abrir ...

Poema ao Menino Jesus *

Menino Jesus Que estás deitado Numas pobres palhinhas E quase gelado Ainda sorris! O teu olhar Tão cheio de esperança, Tão doce e brilhante, Dá-me confiança E fico junto de ti. Também tenho frio Mas não sorrio Como tu sorris!... Só tremo gelada, E o meu olhar É frio e distante. Mas algo me prende Me anima e encanta E fico parada a olhar para ti, E sem dar por isso Estou a sorrir Como tu sorris! Menino Jesus, Que mistério encerra Esse teu olhar?! Com essa doçura, Essa confiança Que tu sabes dar, Não haverá frio Em nenhum lugar.                                                 * escrito aos 20 anos

Manhã submersa

A bruma é densa  sobre todos os seres suspensa nada se vê  tudo se pensa o que parece não é o que é não aparece E nesta manhã no silêncio incorruptível envoltos numa cápsula cinzenta desconhecemos Lentamente   muito lentamente na luta tremenda entre a luz e as trevas surgem fantasmas de certos indícios A ténue luminosidade vence  mas não de vez voltando a adensar-se o manto de bruma descobrimos  então  que a distância entre o ser e o não ser não é nenhuma Finalmente  a luz surge da ausência em todo o seu esplendor e os seres aparecem recortados de luz e de diferença

Caminho

Vou passando e meus passos arrastados sejam leves ou pesados vão sulcando   desbravando escavando   uma estrada Caminho existente ou por mim traçado Há encruzilhadas ou são apenas sonho Vou por aqui   por ali  ou acolá Penso ou apenas existo Ou existo e penso Ou penso e existo por pensar Ou sou apenas arrastada pelo vento ziguezagueando ao sabor da aurora ou do poente seguindo pela estrada traçada como poeira íntima do nada

Encruzilhadas

Dizes que a vida é um oceano de possibilidades cada passo  cada encontro    cada paragem   cada rumo abre infinitos traçados por traçar Cada momento é uma escolha a sulcar um   inexistente caminho No emaranhado de   traçados talvez voltemos ao ponto de partida Cada passo   cada encontro cada paragem   cada rumo abre outras possibilidades de caminho Haverá   lucidez para   corrigir os passos ou cegos   percorremos os mesmos espaços como se não houvera outros caminhos