Foto: Alda Carvalho Ontem o meu coração disparou desordenadamente como cavalo desgarrado em corrida desenfreada. O medo tomou conta de mim e de ambulância fui parar ao S. José conduzida por uma médica e uma enfermeira eficientes e carinhosas. Fui recebida por comitiva imensa que me ligaram a inúmeros fios e correntes e mediram inúmeros parâmetros. E ali fiquei só, no meio da noite, embora rodeada de gente a passar, frente a um relógio que minuciosamente me indicava, piscando, cada segundo em cor vermelha brilhante. Uma enfermeira passava de vez em quando, vigiando os aparelhos e sorria e eu sorria para ela. Nunca me tinha dado conta de como a noite é longa e barulhenta, num hospital! Ouvia, dentro daquelas três paredes, ou melhor duas, ou talvez não houvesse paredes, apenas divisórias movíveis, tudo o que se passava lá fora: alguém chamando sempre pelo mesmo nome que nunca respondia, inúmeros e diferenciados ais, gente a passar em fren...
Também acho difícil resistir a uma porta aberta duma catedral. O impulso é entrar nesse abrigo, nesse apaziguamento secular. Há como que um chamamento ao deleite do nosso olhar, à escuta e ao silêncio, ao encontro com nós mesmos, à comunicação com quem nos transcende.
ResponderEliminarGosto das imagens fortes deste poema: Os silêncios ogivais, as gotas espirituais, as árvores de ramos tubulares, que com os seus braços protegem a catedral dos olhares ímpios. É um poema que nos estimula os sentidos.
O início do poema em seu jogo de vogais abertas lembra a clepsidra de Pessanha. Que, no entanto, esconde uma interioridade bela e, julgo eu, um pouco melancólica.
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