Foto: Alda Carvalho Ontem o meu coração disparou desordenadamente como cavalo desgarrado em corrida desenfreada. O medo tomou conta de mim e de ambulância fui parar ao S. José conduzida por uma médica e uma enfermeira eficientes e carinhosas. Fui recebida por comitiva imensa que me ligaram a inúmeros fios e correntes e mediram inúmeros parâmetros. E ali fiquei só, no meio da noite, embora rodeada de gente a passar, frente a um relógio que minuciosamente me indicava, piscando, cada segundo em cor vermelha brilhante. Uma enfermeira passava de vez em quando, vigiando os aparelhos e sorria e eu sorria para ela. Nunca me tinha dado conta de como a noite é longa e barulhenta, num hospital! Ouvia, dentro daquelas três paredes, ou melhor duas, ou talvez não houvesse paredes, apenas divisórias movíveis, tudo o que se passava lá fora: alguém chamando sempre pelo mesmo nome que nunca respondia, inúmeros e diferenciados ais, gente a passar em fren...
Nada existe fora da relação, isto dizia um professor meu de nome Joaquim Cerqueira Gonçalves. Se ele lesse o teu poema diria talvez algo semelhante. Por ser da relação que tudo nasce e é. Tudo vem à existência depois de ser pensado, ter um nome e haver um pensamento sobre. O real que não é pensado, existe?! Sim, pode existir, mas se ninguém o sabe, se não é nomeado, de que importa essa existência?
ResponderEliminarMas estás tu para pensá-lo em modo de poesia, e ele existe em beleza.
Bom dia, Alda
A beleza está nos olhos de quem a vê. Olhas e vês beleza nesse reticulado salpicado de lindas florinhas amarelas. Não sentes que estão prestes a perder vida e a desaparecer. Dão-te, sim, alegria quando as contemplas e sentes-lhes o encanto. Estás viva e "escreves sol" na tua alma. Que bom é saber olhar o mundo com olhos atentos.
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