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A onda

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Foto: Jorge Espinha Marques * uma bolha na ondulação do oceano agitada pelo vento não está só mas de mãos dadas a todas as bolhas que formam a onda o confinamento é uma ilusão no oceano de ilusões  que formam a nossa mente     não existe espaço nem tempo no pensamento tanto estamos neste verso como nos confins do Universo existimos ou fingimos   somos corrente sempre em movimento não águas paradas ou estagnadas mas sempre agitadas como o pensamento somos com os outros  a todo o momento *  Fotógrafo premiado, Professor na Faculdade de Ciências do Porto, na área de Geologia,

Liberdade

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  Foto: Alda Carvalho           L evitar acima das circunstâncias                  I nspirar o espírito dos lugares                         B albuciar palavras de ternura                                E ncontrar horizontes perdidos na bruma                                        R ecordar momentos de intensa felicidade                                                D eslizar por entre montanhas de neve                                           ...

Raízes

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Foto: Alda Carvalho                                   o emaranhamento dos caminhos             é possibilidade de encontro                                    e de sobrevivência

A escuridão da noite

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                 Foto: Alda Carvalho “Pessimismo- Quando perdemos a capacidade de ver a cores”                                                           (mote do prof. José Fael )           A noite por vezes é má companheira se a escuridão ronda as reminiscências as menos felizes e as mais amargas mesmo as ainda não acontecidas   A noite por vezes é má companheira quando a angústia cresce em torvelinho e monstros assomam às nossas mentes como sombras cinzentas desmedidas   A noite por vezes é má companheira se acordes discordantes de medos antigos se entrelaçam com medos do presente e a ansiedade vira encapelado mar onde nos perdemos e tememos naufragar      

A minha noite no S. José

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  Foto: Alda Carvalho Ontem o meu coração disparou desordenadamente   como cavalo desgarrado em corrida desenfreada. O medo tomou conta de mim e de ambulância fui parar ao S. José conduzida por uma médica e uma enfermeira eficientes e carinhosas.   Fui recebida por comitiva imensa que me ligaram a inúmeros fios e correntes e mediram inúmeros parâmetros.   E ali fiquei só, no meio da noite, embora rodeada de gente a passar, frente a um relógio que minuciosamente me indicava, piscando, cada segundo em cor vermelha brilhante.   Uma enfermeira passava de vez em quando, vigiando os aparelhos e sorria e eu sorria para ela.   Nunca me tinha dado conta de como a noite é longa e barulhenta, num hospital! Ouvia, dentro daquelas três paredes, ou melhor duas, ou talvez não houvesse paredes, apenas divisórias movíveis, tudo o que se passava lá fora: alguém chamando sempre pelo mesmo nome que nunca respondia, inúmeros e diferenciados ais, gente a passar em fren...

Uma questão de sorte?

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  Foto: Alda Carvalho Seja uma bomba, um tornado um furacão a sorte mora ao lado da destruição Num imenso oceano de destroços a fronteira entre a vida e a morte é uma questão de sorte Uma só árvore pode ficar de pé ou uma simples flor ou qualquer outro ser resistir único  no meio da destruição sem sabermos porquê   Não há um sempre nem um nunca mas há um agora  um antes e um depois nem sempre nesta ordem  exata  Abro-me ao inconsciente ao dentro e ao fora de mim às equações matemáticas sistemáticas que definem o tempo e o espaço mesmo quando não há tempo e o espaço parece desaparecer ou expandir-se infinito  a cada passo ou a cada nova visão E nesta indecisão acredito que o mais certo é o tempo que passo com as pessoas e isso inspira-me mais que o resto.  

(I)MIGRAÇÃO*

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                                                              Encaustica: Alda Carvalho Não me deixes cair! Sou teu irmão embora de outra cor  ou doutra religião mas a minha alegria  e toda  aminha dor  são como as tuas. Também gosto de olhar as estrelas e contemplar a lua. Sonho um amanhã diferente em que seja tratado como gente. Tenho fome falta-me um sítio para dormir e tenho medo da sombra que me anda a perseguir. Não me olhes de lado não me apontes uma arma e não me mandes de volta para o lugar onde nasci.  Não me chames estrangeiro deixa-me viver aqui.                                                                ...